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  • Foto do escritorPablo Albarracin

Fazendo a inovação acontecer


A busca por um futuro mais promissor, as empresas enfrentam o desafio de se reinventar e se manterem relevantes. Nesse contexto, a inovação surge como uma peça fundamental para impulsionar o progresso e gerar impacto positivo. Neste artigo, exploraremos como a inovação começa com a compreensão das necessidades dos clientes. Além disso, discutiremos a importância da simplicidade como um caminho para a felicidade dos clientes e como desenvolver uma cultura de inovação nas empresas.


Onde começa a inovação? É muito comum as pessoas pensarem que os inovadores são pessoas que têm ideias brilhantes que aparecem em suas mentes como visões, e que depois de um processo quase secreto conseguem dar forma a algo inovador, que muda a vida das pessoas. Mas em 2003, Clayton Christensen, um renomado professor de Harvard e autor de vários best-sellers sobre inovação, nos mostrou que isso está longe de ser verdade. Ele apresentou a teoria do Job to Be Done, invertendo a origem da inovação. Ele nos falou que quando as pessoas compram um produto ou serviço, na verdade estão contratando temporariamente esse produto ou serviço para fazerem um trabalho que sozinhas não conseguiriam fazer, e alcançar um progresso em suas vidas. E o que as pessoas estão sempre procurando? Elas procuram pelo menos um desses três drivers: maior eficiência para serem mais rápidas, ágeis, consumir menos recursos ou obter mais benefícios; podem procurar maior conveniência, ou seja, algo mais fácil de usar, mais acessível, com melhor relação preço-benefício; ou podem estar procurando uma melhor experiência, ou seja, sentir-se melhor. Então, eficiência, conveniência e experiência são os drivers do processo de inovação. Esses são os eixos nos quais a inovação, seja em modelos de negócios ou propostas de valor representadas por produtos ou serviços, trará novas formas de fazer as coisas, resolver problemas das pessoas ou realizar um trabalho por elas que as aproxime do progresso almejado. Percebemos como os conceitos de eficiência, conveniência e experiência têm tudo a ver com o conceito de simplicidade. E se a simplicidade tem a ver com alcançar o progresso, então a simplicidade e a facilidade estão diretamente ligadas à felicidade. Podemos perceber facilmente que a inovação é o resultado de um processo de feedback, tem muito mais a ver com o outro do que comigo mesmo. Portanto, as ideias inovadoras nascem fora de nós, e para que isso aconteça, devemos desenvolver um olhar voltado para fora.

O que é necessário para a inovação? Falamos que a inovação é o resultado de olhar o mundo de uma maneira diferente, enxergando as pessoas desde suas necessidades por fazer trabalhos diferentes na busca do progresso delas. Fica claro, então, que para inovar devemos desenvolver um mindset de inovador. Vamos ver quais são as características desse mindset:

  1. Empatia ou alteridade: é a capacidade de entender que existem outras realidades com necessidades, dores e desejos diferentes dos meus, mas igualmente válidas. Já ouviram a expressão "apaixone-se pelo problema e não pela solução"? Essa é a essência do processo de inovação. Significa nos apegarmos às necessidades do outro enquanto nos desapegamos das ideias preconcebidas que surgem de nossa própria realidade e visão.

  2. Desafio de fazer algo além do que existe ou do que aparenta ser possível. É a coragem de desafiar os limites, de desejar mudar o mundo, de fazer algo impactante de verdade.

  3. Tolerância ao erro, não como uma desculpa para conformismo, mas como uma oportunidade de aprender e construir relevância. Certamente já ouviram o ditado "erre rápido para ter sucesso logo". Se a inovação nasce do feedback, quanto mais cedo descobrirmos o que está errado do ponto de vista do usuário/cliente, mais cedo poderemos corrigir e criar algo relevante que atenda às suas necessidades, levando-nos ao sucesso.

  4. Por fim, a agilidade. A essência da agilidade está em entregar valor o mais cedo possível, mesmo que esse valor não esteja completo ou perfeito. Com o mindset tradicional, os projetos só entregam valor no final, quando estão terminados. No entanto, muitas vezes, o tempo transcorrido faz com que esse valor seja irrelevante ou até mesmo tenha perdido sua relevância. A agilidade antecipa a entrega de valor, mesmo que parcial, e, em entregas subsequentes, incrementa-o com base nos feedbacks dos clientes e no que faz sentido para eles. Isso se reflete no conceito de entregas parciais e incrementais de valor.

Essas características do mindset inovador podem ser observadas nos diferentes comportamentos das pessoas dentro de uma empresa: como lideram, como se comunicam, o que reconhecem e recompensam, e como são os espaços para a expressão da diversidade. Outra forma de expressar esse mindset é por meio de símbolos, rituais e artefatos. Como são as rotinas? Como são os ambientes e espaços, tanto físicos quanto psicológicos? Qual é a imagem da empresa? Por fim, temos os sistemas, que são as políticas, abordagens metodológicas e ferramentas voltadas para a inovação. Comportamentos, símbolos e sistemas formam a cultura de uma empresa. Portanto, o mindset molda e reflete a cultura da empresa, em um processo de retroalimentação constante. É por isso que falamos de cultura de inovação, e não apenas de inovação ou departamentos de inovação.

Os primeiros passos para instaurar a cultura de inovação Vamos agora revelar os quatro primeiros passos para instaurar essa cultura de inovação:

  1. Conhecer seus clientes: não apenas os externos, os usuários dos produtos ou serviços que sua empresa oferece. Esses clientes devem ser conhecidos, sem dúvida alguma. Mas também conheça os clientes internos, aqueles que estão na cadeia de valor da empresa. Realize pesquisas para entender as coisas que eles desejam fazer e não sabem como, e que geram dor, frustração, medo, insegurança e angústia. Construa as personas, divulgue e comunique internamente quem são elas e por que nos escolhem ou não nos escolhem.

  2. Criar uma onda de empatia: por meio do conhecimento de suas necessidades e do entendimento de como nossas atividades, serviços e produtos impactam nelas, seja de maneira positiva ou negativa. Isso trará um propósito para nossas atividades, um propósito de sempre buscar melhorar ou encontrar novas formas de fazê-las por meio da inovação.

  3. Garantir espaços físicos e psicológicos seguros para a diversidade de ideias, estabelecendo claramente os comportamentos aceitos, os comportamentos não tolerados e os comportamentos incentivados, tanto na liderança, na comunicação, no aprendizado quanto na recompensa e punição.

  4. Educar para a inovação, utilizando abordagens, metodologias e ferramentas em projetos de aplicação concreta, do tipo "aprender fazendo". Dessa forma, é possível colher rapidamente exemplos concretos que possam se disseminar pela empresa, em todas as áreas e em todos os níveis. Minha recomendação inicial é começar com o Design Thinking.

Em resumo, falamos aqui que no centro de tudo está o cliente e suas necessidades de progresso. Temos a opção de oferecer a eles maior eficiência, conveniência e melhores experiências, desde que possamos desenvolver na empresa um mindset e uma cultura de inovação. Para isso, os primeiros passos devem ser que todos na empresa conheçam seus clientes, desenvolvam empatia por eles e discutam ideias para atender suas necessidades, priorizando espaços físicos e psicológicos seguros. Além disso, é essencial desenvolver essas ideias para criar soluções, aprendendo e utilizando ferramentas apropriadas para a inovação.


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