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  • Foto do escritorPablo Albarracin

INOVAÇÃO AMBIDESTRA: um processo feito por pessoas e para pessoas



Inovação se tornou uma palavra comum em muitos ambientes, sejam eles empresariais ou acadêmicos. É comum associarmos a inovação a novidades, tecnologia e disrupções na forma como as coisas são feitas para fazê-las muito diferentes. Porém, o que muitos esquecem é que a inovação tem a ver com tecnologia sim, tem a ver com invenções sim, tem a ver com disrupções sim, mas não se resume apenas a isso. Principalmente tem a ver com cultura, e quando falamos de cultura falamos inevitavelmente de pessoas.

No capítulo "Impulsionando a inovação com ambidestria" do livro "Descobrindo o Brilho", da minha autoria, ressalto a importância de considerar as pessoas no processo de inovação. Para que a inovação aconteça, é preciso pensar nas pessoas no final do processo, pois se ela não impacta positivamente a vida das pessoas e não gera mudanças que as permitam progredir, não estamos falando de inovação.

Além disso, é importante considerar as pessoas no início do processo, pois a inovação surge da interação de pessoas em um ambiente adequado e dentro de uma cultura criada para a inovação. Nesse sentido, é fundamental entender o ponto de vista dos clientes, identificar suas necessidades e dores, criar soluções, testá-las sem se apegar a elas e aceitar o erro como uma forma de crescimento.

Mas a inovação não deve ser apenas benéfica para as pessoas envolvidas no processo, ela deve também gerar retorno financeiro. Esse retorno pode assumir várias formas, como o aumento do valor e dos lucros, ou eliminar perdas econômicas, até criar novos negócios. Isso é importante porque toda inovação tem custos associados e, se não houver algum benefício, ela simplesmente não acontecerá.

Por fim, a inovação deve ser sustentável e ter um impacto positivo no longo prazo para a comunidade e o planeta, seja na utilização de recursos não renováveis, na prevenção da proliferação de resíduos ou contaminantes, ou melhorando as condições de vida das próximas gerações.

No mundo profissional, na nossa própria carreira, a inovação também pode e deve ser aplicada. É possível pensar na nossa carreira como um modelo de negócio pessoal e inovar em alguns de seus componentes. É importante garantir a relevância da nossa carreira no presente e no futuro, estabelecendo uma rotina de revisão inovadora.

Um exercício que gosto de fazer na hora de trabalhar num projeto, é a construção de cenários análogos. E para pensar na carreira profissional temos muito que podemos aprender do universo das empresas inovadoras.

Um bom exemplo de como a inovação pode ser aplicada na carreira vem de Jeff Bezos, fundador da Amazon. Para ele, é crucial entender o que vai mudar no mercado e no mundo nos próximos anos, mas ainda mais importante é saber o que não mudará, o que os clientes sempre desejarão.

Em uma entrevista, Bezos afirmou que ele destina a maior parte de seus esforços de inovação para ser o melhor em aspectos que sabe que são perenes nas expectativas dos seus clientes, pois esses aspectos representam sua fonte de renda atual, mas simultaneamente ele destina uma parcela menor para explorar o futuro, aquilo que hoje não existe em seu modelo de negócio, mas que pode ser a chave para sua sobrevivência e sucesso a longo prazo.

Essa abordagem de Bezos é conhecida como "duplo enfoque" ou "duplo objetivo". Por um lado, a empresa se concentra em otimizar seus produtos e serviços existentes, mantendo-se fiel às expectativas dos clientes e garantindo sua receita atual. Por outro lado, a empresa também investe em novas tecnologias, produtos e serviços que possam transformar o mercado e criar novas oportunidades de negócios a longo prazo.

Essa estratégia tem sido fundamental para o sucesso da Amazon ao longo dos anos, permitindo que a empresa se adapte a mudanças no mercado e na tecnologia, enquanto continua a crescer e expandir seus negócios. Alguns exemplos de inovações que surgiram a partir do "duplo enfoque" da Amazon incluem:

  • Amazon Prime: lançado em 2005, o serviço de assinatura que oferece frete grátis e acesso a conteúdo de streaming de vídeo e música se tornou uma parte essencial da experiência de compra da Amazon, ao mesmo tempo em que gerou receita recorrente para a empresa.

  • Kindle: o leitor eletrônico de livros lançado em 2007 transformou a forma como as pessoas leem livros, criando um mercado completamente novo para a Amazon.

  • Amazon Web Services (AWS): lançado em 2006, o serviço de computação em nuvem da Amazon se tornou líder de mercado e uma fonte importante de receita para a empresa, além de permitir que outras empresas inovem e cresçam em seus próprios negócios.

Esses exemplos demonstram a importância de equilibrar a inovação com a otimização, pois ambas são necessárias para o sucesso a longo prazo de uma empresa.

Aplicar a ambidestria no modelo de negócios pessoal é o tema abordado no livro, e vou trazer alguns conceitos para este e próximos artigos.

A ferramenta Portfolio Map é uma forma de gerenciar e visualizar os modelos de negócios atuais e futuros de uma empresa, com base em parâmetros simples.

No caso de um modelo de negócio pessoal, podemos utilizar uma ferramenta análoga, o Mapa das Agendas de Oportunidades. Ela nos permite priorizar os esforços de inovação na nossa carreira em dois grandes momentos.

Teremos um momento de descoberta e um momento de aceleração, cada um dos quais esta dominado por agendas diferentes.

A agenda de descoberta se concentra na busca de novas ideias, propostas de valor e modelos de negócios para garantir a relevância futura da nossa carreira. Isso envolve atividades que visam maximizar o retorno esperado do novo a traves da pesquisa sobre mudanças nas necessidades e hábitos dos nossos stakeholders atuais e futuros, o desenho de propostas de valor para esses novos contextos, a construção de mínimos produtos viáveis (MPV) e o teste e iteração deles até achar um modelo que possa escalar ao momento de aceleração.

Por outro lado, a agenda de aceleração se concentra em manter os atuais modelos de negócios existentes em uma trajetória de crescimento. Isso inclui escalar modelos emergentes, renovar os que estão em declínio e proteger os bem-sucedidos. Dessa forma, garantimos o crescimento, melhorando os retornos e minimizando o risco de perda de relevância. Isso é alcançado por meio de mudanças destinadas a fortalece lhes, atualizando componentes antigos e obsoletos.

Na agenda de descoberta, as iniciativas são priorizadas com base em dois critérios, quanto beneficio posso esperar de essa nova proposta se ela for bem sucedida e o risco de que essa ideia possa falhar, esse risco é maior quanto menor é a evidencia, além de suposições e estimativas, de que no futuro vai ter valor para alguém, risco diminui à medida que aumenta a quantidade de evidências que apoiam a desejabilidade, viabilidade, factibilidade e adaptabilidade de uma dada proposta de valor.

Na agenda de aceleração, a priorização acontece sobre os atuais modelos de negocio e será com base no retorno real dos benefícios atuais e no risco de perda de relevância ou inconveniência, ou seja, o risco de uma atividade ou proposta de valor não ser mais necessária ou começar a ser inconveniente para as pessoas.

O risco é alto quando uma atividade é emergente e vulnerável, ou quando uma atividade está ameaçada pela perda de relevância devido à tecnologia, concorrência, mudanças regulatórias ou outras tendências. O risco diminui à medida que seus modelos estão protegidos pela exclusividade e a conveniência.


A jornada da inovação, entre a descoberta e a aceleração, é um processo que nos permite avaliar e priorizar nossos modelos e iniciativas com base em potencial de retorno e risco de inovação.

Como priorizar as agendas, e quais são os roteiros possíveis dentro de cada agenda, vai ser o tema do próximo artigo.

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