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  • Foto do escritorPablo Albarracin

DESENHANDO A PROPRIA CARREIRA


Falei anteriormente do Mapa das Agendas de Oportunidades, uma ferramenta derivada do Portofolio Map, e assim como com esta, com aquela podemos visualizar, avaliar e priorizar as inciativas de inovação com foco na própria carreira profissional.

Porque devemos ter um mapa das oportunidades de inovação das próprias propostas de valor?

Ter um mapa das oportunidades de inovação das próprias propostas de valor significa identificar as habilidades e competências que possuímos e como elas podem ser aplicadas de maneiras diferentes e inovadoras. Isso pode incluir o uso de tecnologias emergentes, a adoção de novos processos de trabalho, a criação de novos produtos ou serviços, ou a busca de novas áreas de especialização. Ao inovar nas nossas propostas de valor, podemos nos destacar da concorrência e sermos vistos como líderes nas nossas áreas. Além disso, a inovação pode nos levar a novas oportunidades de negócios, networking e crescimento profissional.

Ter agendas paralelas, descobertas de novas oportunidades conjuntamente com o aprofundamento e aceleração de propostas de valor bem sucedidas é importante pelo menos por três motivos. Em primeiro lugar ter mais de uma agenda permite nos diversificar e reduzir o risco de que mudanças drásticas no contexto deixem nossa proposta de valor obsoleta e irrelevante. Em segundo lugar descobrir novas oportunidades pode levar a novos negócios, parcerias, projetos e networking. Ao mesmo tempo, aprofundar e acelerar propostas de valor bem sucedidas pode levar a um maior crescimento e reconhecimento. Finalmente o processo de descoberta de novas oportunidades pode ser uma ótima oportunidade para aprender novas habilidades, conhecer novas áreas e ampliar os horizontes. Ao mesmo tempo, o aprofundamento e a aceleração de propostas de valor bem sucedidas pode levar a um maior conhecimento especializado e a um aprimoramento contínuo das habilidades existentes.


O Mapa das Agendas de Oportunidades

Como falei o mapa das agendas vai nos permitir enxergar, classificar e desenhar planos de ação para melhorar a relevância da nossa carreira profissional aproveitando-nos da inovação como ferramenta para a construção de valor em dois grandes momentos.

Teremos um momento de descoberta e um momento de aceleração, cada um dos quais esta caracterizado por agendas diferentes.

A agenda da descoberta se concentra na busca de novas ideias, propostas de valor e modelos de negócios pessoais destinados a garantir a relevância futura das nossas carreiras, a traves da pesquisa sobre mudanças nas necessidades e hábitos dos stakeholders atuais e futuros e o desenho de propostas de valor para esses novos contextos com novas atividades, a construção de mínimos produtos viáveis (MPV) e o teste até achar um modelo que possa escalar ao momento de aceleração.

Por outro lado, a agenda de aceleração se concentra em tirar o máximo aproveitamento das atuais propostas de valor através do aumento da eficiência de processos e atividades, do realce da conveniência, e proporcionando uma melhor experiência para os diferentes stakeholders. Como esta agenda concentra as propostas de valor atuais devemos ter clareza do status delas, para escalar modelos emergentes, renovar os que estão em declínio e proteger os bem-sucedidos.

Na agenda da descoberta, as iniciativas são priorizadas com base em dois critérios. Por um lado, quanto beneficio posso esperar de essa nova proposta se ela for bem sucedida e o risco de que essa ideia possa falhar pelo outro.

O risco é inversamente proporcional à evidencia de que no futuro a inciativa analisada vai ter valor para alguém. Para reduzir o risco devemos aumentar a quantidade de evidências que apoiam a desejabilidade, viabilidade, factibilidade e adaptabilidade da proposta de valor.

Na agenda de aceleração, a priorização acontece sobre as atuais propostas de valor e será com base no retorno real dos benefícios atuais por um lado, o segundo critério vai ser o risco de perda de relevância ou inconveniência, ou seja, o risco de uma atividade ou proposta de valor não ser mais necessária ou começar a ser inconveniente para as pessoas.

O risco é alto quando uma atividade é emergente e vulnerável, ou quando uma atividade está ameaçada pela perda de relevância devido à tecnologia, concorrência, mudanças regulatórias ou outras tendências. O risco diminui à medida que as propostas de valor estão protegidas pela exclusividade e a conveniência.


Agenda da descoberta

O mapa permite-nos classificar atividades e propostas de valor. Assim na agenda de descoberta, para cada iniciativa teremos quatro potenciais estágios em função dos critérios de classificação mencionados:



Oportunidades de Nicho, são as iniciativas das que podemos esperar um beneficio potencial baixo o incerto no melhor dos casos, isto combinado com risco alto de a ideia falhar por conta da baixa o inexistente evidencia de desejabilidade ou viabilidade. Por exemplo, um profissional da área de marketing pode identificar uma oportunidade de nicho ao perceber que muitas empresas ainda não estão explorando as possibilidades de marketing em plataformas de realidade virtual ou aumentada. No entanto, essa oportunidade de nicho pode apresentar um benefício potencial baixo ou incerto, porque ainda não há muita evidência de que o marketing em realidade virtual ou aumentada seja uma estratégia eficaz para alcançar os objetivos de negócio. Além disso, a viabilidade dessa ideia pode ser baixa, já que as empresas podem estar relutantes em investir em tecnologia cara e ainda pouco testada.

Iniciativa com Potencial onde o beneficio que podemos esperar é alto, pois teria potencialmente um impacto forte nos stakeholders, mas com risco alto da ideia falhar por conta da baixa o inexistente evidencia de factibilidade ou viabilidade da ideia. Por exemplo, um profissional de marketing de uma empresa de móveis poderia desenhar campanhas onde os clientes possam visualizar como os móveis ficariam em sua própria casa usando realidade aumentada. O benefício potencial dessa iniciativa é alto, pois pode ajudar a empresa a se destacar no mercado e atrair um público mais amplo e engajado. No entanto, o risco de fracasso dessa ideia é alto, pois pode ser difícil criar conteúdo interativo e de alta qualidade que funcione bem com a tecnologia de realidade aumentada.

Jogo Seguro onde o beneficio que podemos esperar é baixo o incerto, mas com forte evidência de impacto positivo, desejabilidade e onde a factibilidade e viabilidade estão comprovadas. Por exemplo, um programa de fidelidade pode não ser considerado uma inovação radical, mas ainda pode trazer benefícios para a empresa, como a retenção de clientes, o aumento da frequência de compras e o aumento do valor médio das compras. A evidência de impacto positivo vem do fato de que muitas empresas já possuem programas de fidelidade comprovados em diferentes setores, e a desejabilidade é alta, já que muitos clientes esperam recompensas por sua fidelidade. A factibilidade e viabilidade também são comprovadas, pois existem muitas ferramentas e tecnologias disponíveis para ajudar na criação e gerenciamento de programas de fidelidade, bem como muitos casos de sucesso e boas práticas que podem ser seguidas.

Diamante em Bruto onde o beneficio que podemos esperar é alto, pois teria potencialmente um impacto forte nos stakeholders, somado com uma forte evidência de impacto positivo, desejabilidade e onde a factibilidade e viabilidade estão comprovadas. Um exemplo poderia ser o desenvolvimento de uma nova estratégia de marketing de conteúdo baseada em tecnologias emergentes, como inteligência artificial e realidade aumentada. A estratégia poderia incluir a criação de conteúdo personalizado para cada usuário com base em suas preferências e histórico de navegação, utilizando algoritmos AI para entender as necessidades e interesses dos usuários e tecnologia de realidade aumentada para criar experiências interativas e envolventes para os usuários. O benefício potencial dessa iniciativa seria alto, pois o marketing de conteúdo é uma estratégia comprovadamente eficaz para aumentar o engajamento do público e gerar conversões. A adição de tecnologias emergentes como a inteligência artificial e realidade aumentada poderia aumentar ainda mais o impacto da estratégia e diferenciá-la da concorrência. A evidência de impacto positivo vem de pesquisas de mercado que mostram que a personalização de conteúdo pode aumentar significativamente o engajamento do usuário e conversões, a realidade aumentada está se tornando cada vez mais popular em setores como varejo e turismo. A desejabilidade é alta, já que as empresas estão sempre procurando maneiras de se destacar em um mercado cada vez mais competitivo e oferecer experiências de usuário únicas e personalizadas. A factibilidade e viabilidade podem ser comprovadas por meio de estudos de caso e experimentação com tecnologias emergentes.


Agora bem as iniciativas assim classificadas não são fixas, pelo contrario o desenvolvimento delas gera uma dinâmica marcada por duas trajetórias distintas dependendo do estagio em que estiverem. Por um lado a trajetória de pesquisa e por outro a trajetória de pivô que aparece pelo teste e iteração.

A trajetória de pesquisa apresenta três momentos principais: investigação validação e aceleração. Inicia com a procura de entender as necessidades do público-alvo e as evidências iniciais que indicam que há interesse na proposta, logo a busca de evidências mais sólidas de interesse e indícios claros de que a proposta pode gerar benefícios, para finalmente a construção de um protótipo funcional (MPV) junto com as primeiras entregas de teste em um contexto limitado e obter evidências para escalar ou fazer pivô.

Justamente o pivô é a segunda trajetória provável para toda iniciativa que chegou à fase de teste. Aqui temos dois momentos, o primeiro logo do teste e iteração onde checamos as hipóteses frente a realidade para logo fazer a mudança de direção por médio de ajustes na ideia inicial.


Agenda da aceleração

Na agenda de aceleração, as atividades e propostas de valor vigentes são classificados e priorizados em função do retorno real que apresentam contrastado com risco de irrelevância ou inconveniência. Aqui também teremos quatro estágios possíveis:



Estrela Fugaz, chamamos assim a propostas de valor que não entregam benefícios reais e que são irrelevantes para os stakeholders ou são inconvenientes por conta de mudanças no contexto. Um exemplo poderia ser pode ser uma estratégia de vendas agressiva que não leva em consideração as necessidades e desejos do cliente e se concentra apenas em empurrar o produto ou serviço. Isso pode resultar em vendas de curto prazo, mas a longo prazo pode alienar os clientes e prejudicar a reputação da empresa. Além disso, em um contexto em que os clientes estão cada vez mais conscientes e exigentes, essa estratégia pode se tornar irrelevante e inconveniente, levando a uma queda nas vendas e na receita.

Contribuinte Estável, neste caso as atividades embora ter um retorno menor ao esperado tem um risco baixo de virar irrelevante ou inconveniente para os stakeholders. Um exemplo pode ser a atuação líder de equipes, embora possa não trazer um retorno financeiro exorbitante ou uma grande notoriedade, essa atividade ainda é importante para a empresa e seus colaboradores. A gestão eficiente de equipes contribui para o sucesso da empresa, melhora o ambiente de trabalho e pode levar a um maior engajamento dos colaboradores, o que pode resultar em benefícios financeiros a longo prazo. Além disso, essa atividade é menos suscetível a se tornar irrelevante ou inconveniente, pois a gestão de equipes sempre será necessária em qualquer empresa que tenha funcionários, independentemente das mudanças tecnológicas ou de mercado.

Motor em Risco, são atividades, propostas de valor ou modelos de negócio que entregam altos benefícios, mas o risco de virar irrelevantes pela irrupção de tecnologia ou concorrentes é alto. Aqui também podemos considerar o alto risco de virar inconvenientes por mudanças nos valores ou hábitos dos stakeholders ou pela mudança de marco regulatório. Um exemplo para um profissional de vendas pode ser a utilização de técnicas de venda tradicionais, como o uso excessivo de pressão ou persuasão agressiva. Embora essas técnicas possam trazer benefícios em curto prazo, como fechamento de vendas, elas podem se tornar irrelevantes para os clientes e inconvenientes no longo prazo, levando a perda de clientes e diminuição da efetividade das vendas. Além disso, com a crescente preocupação com a ética e transparência nas vendas, o uso dessas técnicas pode se tornar desaconselhável ou mesmo ilegal em determinados contextos.

Motor do Sucesso, as atividades dessa área devem ser priorizadas para alcançar uma escala maior, pois apresentam grandes benefícios e estão protegidos contra interrupções por ter garantida a relevância e conveniência futuras. Um exemplo de uma atividade neste estágio para um profissional de vendas seria a construção de um forte relacionamento com os clientes. Essa atividade apresenta grandes benefícios, como a fidelização dos clientes, aumento das vendas e recomendações para novos clientes. Além disso, o relacionamento com o cliente é algo que não pode ser facilmente replicado pelos concorrentes, o que protege essa atividade contra interrupções ou ameaças externas. A importância do relacionamento com o cliente tende a crescer cada vez mais, tornando essa atividade ainda mais crítica para o sucesso do profissional de vendas no longo prazo.

Para cada estagio estabeleceremos estratégias de crescimento e aceleração diferentes, alavancando os benefícios e mitigando os riscos.

A jornada da aceleração está marcada pela coexistência de duas trajetórias, crescimento e declínio em ciclos inevitáveis.

O objetivo é prevenir continuamente o declínio das propostas de valor e atividades que se mostraram bem sucedidas até então, protegendo-as, melhorando-as e reinventando-as.

A trajetória de crescimento esta definida por três momentos, nos quais as estratégias serão voltadas a desenvolver aquelas ideias de novas propostas de valor que se apresentaram como melhores na agenda de descoberta.

A primeira fase de crescimento, chamada de escala, é quando transforma uma oportunidade comprovada e promissora em atividades de uma proposta de valor real. O momento seguinte é o impulso, quando se alavanca o crescimento da proposta de valor escalada com inovação sustentável para melhorar a eficiência.

Finalmente iremos proteger e manter a posição sólida de uma proposta de valor, protegendo-a da concorrência através de inovações que incrementem a sua relevância, voltando elas mais convenientes para os stakeholders e geradoras de experiências diferenciais

Mas devemos estar cientes que as propostas de valor vigentes, que apresentaram sucesso até então, inevitavelmente apresentarão uma trajetória do declínio e devemos nos preparar para identificá-las e gerar ações para evitar a descontinuidade.

A trajetória do declínio também está marcada por três momentos. O primeiro é o de inconveniência e ou irrelevância, quando as mudanças no contexto tornam sua proposta inconveniente e a ameaçam, pode acontecer por mudanças culturais; tendências tecnológicas, sociais, ambientais ou regulatórias; concorrência; ou um ambiente macroeconômico diferente. Nessa fase, ainda é consolidadoae com benefícios, mas está em alto risco.

O segundo momento é o da crise. Sua atividade ou a forma em que é feita é interrompida por forças externas ou está em rápido declínio. Nesta fase, você ainda está fortemente investido no antigo modelo de trabalho, mas ele está desatualizado e precisa de grandes mudanças para evitar a obsolescência.

O terceiro momento refere-se ao ajuste e ressurgimento. Assistimos ao sucesso da inovação daquilo desatualizado e inconveniente para um modelo renovado, a partir do qual se inicia uma nova era de crescimento.


A Inovação como estratégia.

Esta ambidestria necessária na revisão da sua carreira vai requer estratégias para se movimentar entre e dentro de ambas as agendas simultaneamente.

As estratégias passam pela inovação. Mas como inovar?

Temos três grandes drivers da inovação, que dependendo do estágio do seu modelo de negócios pessoal e do componente desse modelo podemos utilizar, eficiência, conveniência e experiência.

As inovações que têm como alvo aprimorar a eficiência do modelo de negócios focam na melhor utilização dos recursos para obter mais e melhores resultados e com menor impacto negativo. Menos tempo, menos energia, menos dinheiro. Inerentemente aumentam a viabilidade do modelo em um marco de maior sustentabilidade, deixando uma marca de comprometimento com um mundo melhor para se viver. Sob o olhar de uma maior eficiência podemos repensar e reconverter a operacionalização do modelo de negócio.

Já as inovações focadas na conveniência procuram redefinir aspectos da proposta ou da entrega, com vistas a incrementar o valor e manter vantagens competitivas que sejam apreciadas pelos clientes e percebidas como diferenciais que impulsionam a escolha. De algum modo as pessoas sentem que o trabalho é mais bem feito, mais rápido ou que precisa um desembolso menor. É o jeito como o resultado de uma maior eficiência é percebida favoravelmente pelos stakeholders.

Finalmente, mas não menos importante, as inovações focadas na melhoria da experiência em toda a cadeia de valor.

Um aspecto importante a se considerar é que as experiências esperadas por um produto ou serviço já não dependem apenas de sua utilidade, tampouco das opções dos concorrentes.

A experiência das pessoas é transversal nas suas vidas e se move de um produto para outro, apenas pelos insights que gera neles. Assim, a tecnologia tem sido um canal dessa migração de expectativas entre produtos e serviços diferentes.

A facilidade de escolhas e acesso, a velocidade das entregas, a personalização, a automatização são, por exemplo, entregas de valor esperadas em um universo muito diverso de produtos ou serviços.


Nas entregas seguintes veremos como nos valer da eficiência, conveniência e experiência para gerar inovações no modelo de negócio pessoal que permitam não apenas acelerar a nossa carreira como, em muitos casos, reorientá-la e alinhá-la com o nosso propósito.


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